Melhor seria: “Em breve, 24 horas”
Por Arthur Pípolo, www.arqrn.com
O descaso com os edifícios históricos em Natal já é de praxe. Lembro-me da Pedra do Rosário, no bairro da Ribeira; a casa da “Viúva Machado”, na Cidade a Alta; e atualmente, leio no jornal Tribuna do Norte do dia 11, que a casa de Djalma Maranhão localizada em Petrópolis está totalmente abandonada, o mato já tomou conta das dependências. Segundo o escritor Sanderson Negreiros, em entrevista ao jornal “foi nesta casa, que hoje está abandonada, que o ex-prefeito Djalma Maranhão nasceu e foi de lá também que o corpo dele saiu para ser sepultado. Hoje ela parece mais um antro de marginais”, lamentou o escritor. Cenas comuns no dia-a-dia da capital.
Lembro-me, também, do Hotel dos Reis Magos, na orla da praia dos Artistas, o primeiro de categoria internacional do estado, construído em 1965 e que funcionou até a década de 90. Passaram-se 10 anos para se tomar a iniciativa de restaurar a estrutura e colocá-lo, novamente, em funcionamento. Nesse período, o hotel ficou à venda pela bagatela de R$ 10 milhões, mas ninguém se interessou por comprá-lo. Uma pena! Hoje, passados 3 anos da iniciativa de revitalizar o prédio, parece que foi apenas mais um engodo. Primeiro, iriam começar as obras durante 2006, passou-se o ano e nada! Então, no início de 2007, anunciaram que em fevereiro deste mesmo ano iriam começar as obras. Nada! Agora, leio no site do governo do Estado de que “a pretensão é que até dezembro de 2008, o Hotel dos Reis Magos seja reativado, proporcionando 300 empregos diretos. A previsão é para uma classificação equivalente a quatro estrelas.” É esperar para ver…
Ontem, precisamente às 10h da manhã, recebia mais uma notícia destes descasos com a nossa história. Fiquei triste, mas ao mesmo tempo enraivecido. Uma notícia que, para aqueles que nasceram até meados de 1990 e ainda tiveram a oportunidade de conhecer e freqüentar os “cinemas de rua” de Natal, trará na lembrança bons momentos e no coração tristeza e decepção.
Bem, a notícia está estampada em letras garrafais - “Em breve, estacionamento 24 horas” - em frente ao antigo Cine Nordeste, onde antes, no local, existia a Escola Técnica de Comércio de Natal e após a demolição, na década de 50, em seu lugar, foi inaugurada a Rádio Nordeste, com auditório. Posteriormente o auditório passou a ser o Cine Nordeste, um cinema de categoria de grande cidade. e que foi o primeiro cinema de Natal com ar-condicionado. Tendo sua fase áurea nos anos 60 com filmes como “As Aventuras de Ali Babá”, “Desirée”, “O Amor de Napoleão”,etc.
Lembro-me de todos os filmes dos “Trapalhões”, onde se formavam enormes filas com um monte de meninos e meninas, chupando picolé, bala, algodão-doce, pipoca e refrigerante. Era, sem dúvida, o melhor dia da semana!
Lembro-me da ansiedade que tudo aquilo nos fazia sentir, a vontade de que começasse logo a sessão, e quando começava, a vontade de não acabar nunca aquele momento.
Hoje, vemos essa nova geração “shoppiana”, que tem a necessidade do mais prático. Vemos a tv paga, com seu inúmeros canais de filmes e o sedentarismo dos cidadãos. Vemos… o desapego com o passado e seu “ultrapassado” jeito de ser.
Contudo, há uma luz no fim do túnel. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no dia 10, “a superintendência do Iphan da Paraíba e do Rio Grande do Norte concluíram o dossiê que propõe o tombamento do Centro Histórico de Natal. A área delimitada é de aproximadamente 201.278 metros quadrados, na qual estão inseridos 150 imóveis de diversos estilos, incluindo a arquitetura colonial, neoclássica, art-déco e modernista”, segundo notícia no site do instituto. Nesta área estão inseridos os bairros da Ribeira e Cidade Alta.
Qual será a postura da Fundação José Augusto? Só queremos que faça sua parte, trabalhe em prol da sua missão: “preservar o patrimônio histórico e arquitetônico, apoiar e incentivar a produção musical, teatral, de artes plásticas e literária”.
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Foto: Jaeci Galvão
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Foto: Paulo Nobre
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Foto: Paulo Nobre
