Melhor seria: “Em breve, 24 horas”

Abril 15, 2008 at 11:48 pm (Arquitetura, Cultura, História)

Por Arthur Pípolo, www.arqrn.com

 

O descaso com os edifícios históricos em Natal já é de praxe. Lembro-me da Pedra do Rosário, no bairro da Ribeira; a casa da “Viúva Machado”, na Cidade a Alta; e atualmente, leio no jornal Tribuna do Norte do dia 11, que a casa de Djalma Maranhão localizada em Petrópolis está totalmente abandonada, o mato já tomou conta das dependências. Segundo o escritor Sanderson Negreiros, em entrevista ao jornal “foi nesta casa, que hoje está abandonada, que o ex-prefeito Djalma Maranhão nasceu e foi de lá também que o corpo dele saiu para ser sepultado. Hoje ela parece mais um antro de marginais”, lamentou o escritor. Cenas comuns no dia-a-dia da capital.

Lembro-me, também, do Hotel dos Reis Magos, na orla da praia dos Artistas, o primeiro de categoria internacional do estado, construído em 1965 e que funcionou até a década de 90. Passaram-se 10 anos para se tomar a iniciativa de restaurar a estrutura e colocá-lo, novamente, em funcionamento. Nesse período, o hotel ficou à venda pela bagatela de R$ 10 milhões, mas ninguém se interessou por comprá-lo. Uma pena! Hoje, passados 3 anos da iniciativa de revitalizar o prédio, parece que foi apenas mais um engodo. Primeiro, iriam começar as obras durante 2006, passou-se o ano e nada! Então, no início de 2007, anunciaram que em fevereiro deste mesmo ano iriam começar as obras. Nada! Agora, leio no site do governo do Estado de que “a pretensão é que até dezembro de 2008, o Hotel dos Reis Magos seja reativado, proporcionando 300 empregos diretos. A previsão é para uma classificação equivalente a quatro estrelas.” É esperar para ver…

Ontem, precisamente às 10h da manhã, recebia mais uma notícia destes descasos com a nossa história. Fiquei triste, mas ao mesmo tempo enraivecido. Uma notícia que, para aqueles que nasceram até meados de 1990 e ainda tiveram a oportunidade de conhecer e freqüentar os “cinemas de rua” de Natal, trará na lembrança bons momentos e no coração tristeza e decepção.

Bem, a notícia está estampada em letras garrafais - “Em breve, estacionamento 24 horas” - em frente ao antigo Cine Nordeste, onde antes, no local, existia a Escola Técnica de Comércio de Natal e após a demolição, na década de 50, em seu lugar, foi inaugurada a Rádio Nordeste, com auditório. Posteriormente o auditório passou a ser o Cine Nordeste, um cinema de categoria de grande cidade. e que foi o primeiro cinema de Natal com ar-condicionado. Tendo sua fase áurea nos anos 60 com filmes como “As Aventuras de Ali Babá”, “Desirée”, “O Amor de Napoleão”,etc.

Lembro-me de todos os filmes dos “Trapalhões”, onde se formavam enormes filas com um monte de meninos e meninas, chupando picolé, bala, algodão-doce, pipoca e refrigerante. Era, sem dúvida, o melhor dia da semana!

Lembro-me da ansiedade que tudo aquilo nos fazia sentir, a vontade de que começasse logo a sessão, e quando começava, a vontade de não acabar nunca aquele momento.

Hoje, vemos essa nova geração “shoppiana”, que tem a necessidade do mais prático. Vemos a tv paga, com seu inúmeros canais de filmes e o sedentarismo dos cidadãos. Vemos… o desapego com o passado e seu “ultrapassado” jeito de ser.

Contudo, há uma luz no fim do túnel. O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no dia 10, “a superintendência do Iphan da Paraíba e do Rio Grande do Norte concluíram o dossiê que propõe o tombamento do Centro Histórico de Natal. A área delimitada é de aproximadamente 201.278 metros quadrados, na qual estão inseridos 150 imóveis de diversos estilos, incluindo a arquitetura colonial, neoclássica, art-déco e modernista”, segundo notícia no site do instituto. Nesta área estão inseridos os bairros da Ribeira e Cidade Alta.

Qual será a postura da Fundação José Augusto? Só queremos que faça sua parte, trabalhe em prol da sua missão: “preservar o patrimônio histórico e arquitetônico, apoiar e incentivar a produção musical, teatral, de artes plásticas e literária”.

cine nordeste 

Foto: Jaeci Galvão

 

Cine Nordeste hoje 

Foto: Paulo Nobre

 

24hrs 

Foto: Paulo Nobre

 

Permalink Não Há Comentários

LAMENTOS

Fevereiro 14, 2008 at 12:02 am (Cotidiano, Poemas, Resmungos)


Hoje estou entediada
Não ganhei beijo
Nem dei risada
O dia não foi ruim
E bom também não foi
Odeio médios e meios!
E ainda estou rouca
Traqueobronquite,
Pigarro, tosse seca
Falta de ar e desespero
Por causa dos cigarros
… Todos eles, alheios!
E um finalzinho
Mais chato não poderia
Nessa quarta tão sem graça
Que tem jeito de segunda
Veja só meu fim de noite,
Uma injeção… Na BUNDA!

Manu Albuquerque
13.02.2008

Permalink 4 Comentários

DOR

Fevereiro 13, 2008 at 9:56 am (Filhos, Maternidade, Poemas)

“Não chore assim
Meu menino
Cada lágrima
Em tua face
Lateja e Sangra
Em mim

Não chore assim
Meu menino
Pudera eu
Colher tua dor
E plantá-la toda
Em mim

Meu pequenino
Não combina
Com dor…
Queria poder curá-la
Dando-te beijos
De amor”

 Manu Albuquerque 13.02.2008

Dores de mãe…

Permalink Não Há Comentários

SAUDADE é pra matar

Fevereiro 9, 2008 at 2:12 am (Nós, Poemas)

Leio tuas palavras,

Saudade

Eu tenho

E, tão pouco tempo,

Faz arder

No peito o desejo

Da gente.

Ouço tua voz,

Saudade.

E eu sei,

Que você sente

A saudade

Nos Corroendo.

Saudade mata

E a gente mata

A saudade…

De se querer.

Vêm…

Manu Albuquerque, 08/02/2008

“Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
A saudade mata a gente
A saudade mata a gente” Chico Buarque

Permalink 2 Comentários

BEM…

Fevereiro 5, 2008 at 1:01 pm (Cotidiano)

Depois de um longo mês, volto por aqui. Sem pressa migrei para o wordpress. Ainda estou me adaptando, conhecendo o sistema e tal.

Esses dias, senti necessidade de escrever mais e mais. A fúria da solidão se vinga no teclado.

Passamos o Carnaval em casa, sem folias de Momo e muito descanso. Eu mereço.

Na última sexta entreguei um trabalho que era muito importante pra várias pessoas e estava sob minha responsabilidade, tirei um navio das costas e dormi como há semanas não dormia…

Antes disso, tive uma daquelas crises de TPM que só quem me conhece bem sabe. Que saco! Sempre sobra pra alguém, rs, normalmente um homem, e mais normal ainda se for a última pessoa que merece o estouro da vez…

Mas, voltando, o trabalho agora deve estar repousando sobre uma mesa no IAB de Brasília e em breve teremos notícias disso. Espero que boas!

Permalink Não Há Comentários

ABRINDO AS JANELAS

Janeiro 1, 2008 at 3:42 pm (Uncategorized)

Abri as janelas e deixei o sol entrar…

Assim começa 2008 com a energia do sol e previsão de muitas mudanças (Sempre as mudanças!).

O ano que findou foi muito especial em vários sentidos e sem dúvida ficará guardado nas minhas lembranças. Algumas coisas mudarão e espero, sempre, que pra melhor e outras quero que permaneçam iguaizinhas: Mesmo trabalho, mesmo marido (É bom enfatizar, nunca se sabe!!!), mesmo sócio e mesma alegria de viver!

As primeiras mudanças acontecerão ainda este mês. Estarei finalmente, mudando pra nosso ninho de amor…

Há uns 5 anos atrás uma cartomante me disse que neste ninho eu conheceria a felicidade verdadeira… Será que eu ainda não a conheci?

Deus tem sido muito generoso comigo. Obrigada… Obrigada…

Feliz 2008 a todos e Carpe Diem!

Permalink Não Há Comentários

TEMPO DA DELICADEZA

Novembro 21, 2007 at 9:22 pm (Uncategorized)

Acabei de Chegar de São Paulo. Segunda vez esse ano, mas essa viagem foi especial em vários aspectos, conhecí pessoas e lugares especiais. Viví momentos realmente únicos.

Fomos a Sampa com o intuito de visitar a 7a Bienal de arquitetura, um grupo de 15 arquitetos, levados pelo nosso site, o arqrn e lá seguimos uns roteiros bem “arquitetônicos”.

Visitamos uma casa do arquiteto Mário Biselli num condomínio no Morumbi e a Sala São Paulo (sala de concertos da Orquestra Sinfônica de São Paulo). Na Sala São Paulo fomos acompanhados pelo arquiteto e professor Nélson Dupré, responsável pelo projeto da sala, que nos deu uma verdadeira aula de história e de amor ao trabalho. Uma profissional incrível, uma pessoa única…

Tivemos oportunidade de assistir na Sala uma apresentação da Orquestra, magnífica!

Visitamos a bienal e tive o prazer de ver reunido o melhor da arquitetura mundial, pra mim, uma apaixonada pelo tema, foi realizador. Orgulho maior ainda foi ver uma representação aqui da terrinha e melhor ainda, ser esta representação a do meu sócio e professor, o grande Nilberto Gomes. Figurassa!

Revi minha querida amiga, Samantha Hirashi que nos acompanhou num almoço delicioso na liberdade e fui apresentada a Lunna Montez’zinny que é escritora e responsável por um projeto literário super-bacana que estou participando. Fiquei super feliz de vê-las! Pessoas muito importantes para mim.

Além da arquitetura houve espaço pro turismo, claro mas, o melhor de tudo foi ter tido um tempinho pra mim, pra pensar em algumas coisas que estavam martelando na minha cabeça e que o corre-corre e a rotina diária sempre acabam empurrando pra frente. Senti muita saudade de Otto e de Ricardo. Foi a primeira vez que me afastei por mais de 24 hrs, rsrs e me fez uma falta imensa. Queria muito que eles estivessem comigo mas, ao mesmo tempo, sinto que algumas vezes trabalho e família precisam se distanciar um pouco. Pelo menos para mim.

Escrevo aqui, pela milésima vez, que este ano tem sido especial. Alegre, difícil, por vezes surpreendente mas apaixonante, como a vida deve ser. Acho que enfim, sinto a maturidade chegando, vendo os obstáculos da vida sendo ultrapassados, as dificuldades sendo superadas com serenidade e paz de espírito.

No fim de tudo o que importa é o amor, em tudo que se faz e parece que 2007 tem muito amor em sua composição, para mim, que vivo o tempo da delicadeza…

Deixo uma letra que não tem muito a ver com o tema da viagem, mas tem com o meu momento de paz de espírito e sempre me sensibiliza muito:

“Todo Sentimento

Composição: Chico Buarque e C. Bastos

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.”

Permalink Não Há Comentários

SORRINDO

Outubro 17, 2007 at 12:24 am (Uncategorized)

Não há no mundo sentimento maior que o amor…
E quando, nos momentos de crise, nos olhamos no espelho e nos apaixonamos por nós mesmos, ah! Isso é lindo…
Ama-te pois assim, serás amado! Ama-te e te valoriza, pois assim emanarás um brilho próprio que inebriará e cegará aqueles que não tem olhos pra te ver…

Me amo, sim, como amo… E de tanto amar, me delicio em mim mesma, com o prazer da minha existência plena e de tudo que é viver. Para quê jogar pérolas aos porcos? Para quê, Pérolas para a Rainha, que sou eu…

” …Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!” Eça de Queiroz, em “O primo Basílio”

Permalink Não Há Comentários

A VIDA COMO ELA É

Outubro 14, 2007 at 2:49 pm (Uncategorized)

“Nelson Rodrigues estava certo. As histórias de amor sempre tem um fundo trágico em algum momento. E Machado de Assis também, ao descrever os “Olhos de Capitu”. Olhos de ressaca… Há criaturas que tem olhos de ressaca. Olhos que nos puxam pra si como as mais fortes ressacas do mar. Há que se ter muito cuidado com olhos assim. Para não penetrar no escuro desses olhos, nos agarramos aos arredores: Ombros, braços, corpo e cabelos. Um medo que não tem fim desses olhos de ressaca. Sim, eu tenho medo e assim, me manterei distante, o máximo possível, desse olhar que me puxa pra si. “Olhos de Capitu”, atraentes e dissimulados fazem da vida o que ela é… Como numa história de Nelson Rodrigues…”



Manu Albuquerque
14.10.2007

Permalink Não Há Comentários

Luiza

Outubro 12, 2007 at 2:20 am (Uncategorized)

“Coisa mais bonita
Flor tão delicada
Gema preciosa
É esse menina

Cabelos de pluma
Bochechas rosadas
Já é tão amada
Essa pequenina

Prenda iluminada
Leve como a brisa
Chega assim suave
Chega assim sorrindo
A pequena Luiza.”

Manu Albuquerque
09/10/2007

Permalink Não Há Comentários

« Entradas anteriores